Show Cabaret – Lisbon Busking Festival

Ao descer a rua dos Anjos, a partir da Almirante Reis, ouvia-se ao longe um som distante de festa, mais abaixo perto do Largo do Intendente a fanfarra tornava-se audível e misturava-se com a pureza dos risos infantis.

Mesmo no terminus da Rua do Benformoso, quando esta desemboca no Largo do Intendente Pina Manique, foi colocado uma pequena porta de papelão com uma cortina preta, a frente os lugares da plateia eram improvisados com paletes viradas ao avesso cobertas com um material que bem parecia carpete. A imaginação estava a solta num festival que prometia alegria, sonhos e uma fuga para o mundo das coisas doces.

Torpeza Ritmika chamava uma criança ao palco sem estrado, e enchia-a de balões até esta não puder receber mais, as restantes aplaudiam batendo vigorosamente as palmas, e as expressões de genuína surpresa eram um estímulo para continuar a viagem. Após este número a acrobata reapareceu vestida de verde e rendas dançou com o seu arco numa coreografia de estética e dificuldade inegável. Terminava assim o espetáculo dedicado as escolas com uma estrondosa ovação.

O dia ia deixando o lugar devagarinho e de tão mal disposto chicoteou o seu largo manto que ao ser agitado provocou uma corrente de ar tão frio que fazia arrepiar quem não tinha agasalho a condizer.

Os preparativos para o show de abertura corriam a bom ritmo com o levantar do mastro chinês, e a colocação de arneses em árvores e bancos de jardim de forma a garantir a estabilidade necessária para a segurança do artista e espectadores.

As pessoas iam chegando e sentando com curiosidade não disfarçada, Pedro Tochas animou o público e fez de interlúdio entre as diferentes atuações, Ricardo Paz escalou o mastro provando a sua mestria nesta arte, Torpeza quase hipnotizou a assistência com o seu arco, Anneaelle Molinario  surpreendeu com a sua incrível versatilidade corporal, Companhia dos Mundos deliciou todos com um mundo de equilíbrio, Little Testa com o seu “Savoir Faire”, e claro Tiago Fonseca encantou com o seu numero de chapéus trapezistas entre outros .

Durante todo o serão o tempo revigorou-se num novo espaço onde os sentimentos, suspiros, gritos de surpresa e correrias infantis se amalgamavam numa nova consciência comum onde a felicidade estava bem firme no seu trono poderoso.

Quando o “The End” surgiu e as luzes se apagaram a noite tinha-se instalado mas o vento esse não deu quaisquer sinais de tréguas ou de abrandamento.

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2017-09-27T20:49:43+00:00