Attero – Bordalo II

Passavam 2 min das 16h00, pouco no relógio mas muito para quem estava impaciente, quando as portas de um armazém na rua de Xabregas se abriram para a exposição Attero (desperdício em Latim) a todos os títulos original. O nome Bordalo II reunia os visitantes numa expectativa comum do insólito, mesmo para aqueles que confessadamente iriam saber mais acerca do artista.

A força do nome Attero explora o desconcertante da matéria utilizada, Lixo. Attero, porque o aterro é o fim da linha de muito do desperdício não reutilizado, e é lá nas lixeiras que Artur Bordalo, nascido em 1987, em Lisboa, encontra a sua extensa e diversificada matéria prima.

Sendo a economia a ciência que regula o intercâmbio entre os humanos tem no consumo a sua força motriz, e se nos últimos anos existe uma maior consciência ambiental para a reciclagem, nem sempre foi assim e ainda nos dias de hoje não se pode assegurar ser uma preocupação prioritária em muitos locais do mundo onde continua a grassar a céu aberto.

Munido de férrea vontade artística e com uma imaginação profícua Bordalo criou uma expressão plástica própria, que suscita no mínimo curiosidade em ver como composições tão apelativas podem surgir a partir de uma subproduto da nossa civilização, que muitos se recusariam a visitar nos “armazéns” onde são despejados

O lixo é humano, mas os animais dos quadros são aqueles que a incúria e a poluição maltrata. Quatro salas repletas de um discurso visual longe do ortodoxo e um corredor que simula o fundo do mar são motivos mais do que suficientes para convencer qualquer um a visitar a exposição na primeira pessoa.

Mas não é só em sala que os trabalhos de Bordalo podem ser vistos, também os há em murais de grande impacto espalhados pela rua, em várias cidades do mundo.

A exposição está aberta até dia 26-11-2017, recomendamos vivamente a sua visita.

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2017-11-12T22:41:11+00:00